Pagina 74 - Versos 151 a 152



151
Em determinado momento, eu me encontrava com a Irma N. na cozinha e ela ficou um pouco zangada comigo e por penitência mandou que eu me sentasse em cima da mesa. Ela mesma trabalhava muito, limpava e lavava, e eu estava sentada em cima da mesa. As Irmãs que ali vinham estupefatas vendo-me assim e cada qual dizia o que queria. Uma, que eu era preguiçosa outra que ora mesmo excêntrica. Eu era então postulante. Outras diziam:¨Que freira será ela?¨ Contudo não podia descer, porque essa Irmã me havia ordenado sob obediência que ficasse sentada até que ela me mandasse descer. Realmente, quantos atos de mortificação eu fiz nessa ocasião, só Deus o sabe.Pensava que ia morrer de vergonha. Às vezes, era o próprio Deus que permitia estas coisas para o meu aperfeiçoamento interior, mas o Senhor me recompensou com um grande consolo por esta humilhação.  Durante a benção vi-O em grande beleza. Jesus olhou para mim com bondade e disse: Minha filha, não tenhais medo dos sofrimentos, Eu estou contigo.

152
Uma vez tive que ficar de plantão à noite, e sofria tanto na alma em razão da pintura daquela Imagem, que já não sabia a que me agarrar; de um lado, todos me diziam se tratava duma ilusão, de outro, um sacerdote me disse que talvez Deus quisesse justamente que Lhe fossem prestadas honras através daquela Imagem: portanto era preciso conseguir aquela pintura. A minha alma estava muito cansada. Quando entrei na capela, aproximei a minha cabeça do sacrário, bati e disse: ¨Jesus, vede que grandes dificuldades tenho por causa da pintura da Imagem.¨E ouvi uma voz do sacrário: Minha filha, os teus sofrimentos já não durarão muito.

Pagina 73 Versos Diário 149 a 150


149
Quando o próprio Senhor quer estar junto da alma e conduzi-la, afastará tudo o que seja exterior. Quando adoeci e fui transferida para a enfermaria, tive muitos dissabores por esse motivo. Éramos duas doentes na enfermaria . A Irma N. recebia visita de Irmãs, a mim ninguém veio ver. É verdade que é uma só enferaria, mas cada uma tem a sua cela. Eram longas as tardes de inverno; a Irmã N. tinha luz, podia ouvir rádio, e eu nem podia preparar a minha meditação, por falta de luz.
Quando assim se passaram quase duas semanas, uma tarde eu me queixava ao Senhor porque sofria muito e nem podia preparar a meditação, por não dispor de luz. O Senhor respondeu-me que viria todos os dias à tarde e me indicaria os pontos da meditação para o dia seguinte, que versavam sempre Sua dolorosa Paixão. Dizia-me: Reflete sobre o Meu padecimento diante de Pilatos. – E assim sucessivamente, durante toda a semana, eu meditava sobre a Sua dolorosa Paixão. A partir daquele momento uma grande alegria invadiu a minha alma e já não desejava quaisquer visitas ou luz; Jesus me bastava para tudo. Aliás, o zelo das Superioras pelas doentes era grande e, no entanto, o Senhor fez com que eu me sentisse abandonada. Mas esse melhor Mestre para poder agir sozinho, afasta tudo que é criado. Algumas vezes eu sofria tantas perseguições e sofrimentos que a própria Madre M. disse: No seu caminho, os sofrimentos parecem brotar da terra. – Disse-me ainda: ¨Eu olho para a Irmã como para uma crucificada; no entanto, reconheço nisso a mão de Jesus. A Irmã seja fiel ao Senhor. ¨
150
Quero anota um sonho que tive a respeito de Santa Terezinha do Menino Jesus. Eu era ainda noviça, certas dificuldades, que não conseguia superar. Tratava-se de obstáculos interiores, mas que se relacionavam com dificuldades exteriores.Fiz novenas as vários Santos, mas a situação tornava-se cada vez mais difícil . Os meus sofrimentos por esse motivo era tão grandes que já não sabia como continuar a viver. De repente, veio-me a ideia de rezar a Santa Terezinha do Menino Jesus. Comecei uma novena a essa Santa, pois já antes do ingresso  no Convento tinha grande devoção a ela. Agora me descuidei um pouco dela, mas, nessa necessidade, novamente comecei a rezar com todo o fervor. No quinto dia da novena sonhei com Santa Terezinha, mas como se ela ainda tivesse na Terra.Ocultou diante de mim a circunstância de ela ser Santa e começou a consolar-me, para que eu não ficasse triste por causa desse problema, mas confiasse mais em Deus. Afirmava-me: ¨Também eu sofri muito¨, e eu não acreditava muito que ela tivesse sofrido muito,  e disse-lhe então: ¨A mim me parece nada haver sofrido.¨Mas Santa Terezinha respondeu-me convencendo-me de que sofria muito e disse-me: ¨Dentro de três dias, a Irmã verá que esse problema será resolvido da melhor maneira.¨ Quando eu não queria acreditar muito nela, então, a minha alma encheu-se de alegria, e perguntei-lhe ¨Você é Santa? ¨, e ela respondeu-me que sim: ¨Sou uma Santa e confie que o seu problema se resolverá no terceiro dia¨. E eu disse a ela: ¨Santa Terezinha, diga-me, irei para o Céu? ¨- Respondeu-me: ¨A Irmã irá para o Céu. ¨- ¨E serei Santa.¨- Respondeu-me: ¨A Irmã será Santa.¨Mas , Terezinha, eu serei uma Santa como Você, nos altares? ¨E ela respondeu: ¨Sim, você será uma Santa como eu, mas deve confiar muito em Jesus. ¨- E perguntei-lhe se eu pai e minha mãe irão para o Céu, se ... – Respondeu-me: ¨Irão. ¨E continuei a perguntar: ¨E as minhas Irmãs e meu irmãos irão também para o Céu? – Respondeu-me que rezasse muito por eles, e não me deu uma resposta certa. Compreendi que necessitavam de muitas orações.

Tratou-se de um sonho e como diz o provérbio: ¨O Sonho é ilusão e só Deus é salvação.¨No entanto, no terceiro dia resolveu-se esse difícil problema com muita facilidade. Como me tinha dito, cumpriu-se ao pé da letra tudo que se relacionava com essa questão. Foi um sonho, mas ele teve o seu significado.

Pagina 72 Versos 146 a 148


146
Oração - É pela oração que a alma se arma para toda a espécie de combate. Em qualquer estado em que se encontre, a alma deve rezar. - Tem que rezar a alma pura e bela, porque de outra forma perderia a sua beleza; deve rezar a alma que buscando essa pureza, porque de outra forma não a atingiria; deve rezar a alma pecadora, atolada em pecados, para que possa levantar-se. E não existe uma só alma que não tem a obrigação de rezar, porque toda a graça provém da oração.

147
Lembro-me que recebi a maior porção de luzes nas adorações, que fazia diariamente, durante meia hora, no tempo de quaresma, prostrada em cruz diante do Santíssimo Sacramento. Durante esse tempo, conheci melhor a mim mesma e a Deus. Apesar de ter tido muitas dificuldades para fazer essa oração, mesmo tendo a autorização dos Superiores. Saiba a alma que, para rezar e perseverar na oração deve munir-se de paciência e vencer corajosamente as dificuldades interiores e exteriores: Dificuldades interiores : desânimo, aridez, torpor da alma, tentações; exteriores: respeito humano e observância das horas que são destinadas a oração. Eu mesma passei por isso, e, se não fazia a oração no tempo a ela destinado, também não a fazia depois, porque as obrigações não me permitiam; e se a fazia, era com grande dificuldade porque o pensamento me fugia para os meus deveres. Tive uma outra dificuldade: quando a alma fazia bem a oração e saía dela com recolhimento interior e profundo, outras a perturbavam nesse recolhimento. E, por isso, deve haver paciência, para perseverar na oração. Acontecia-me muitas vezes que, quando a minha alma estava mergulhada mais profundamente em Deus, tirava maior fruto da oração e a presença de Deus acompanhava-me durante o dia, tinha maior concentração no trabalho e maior perfeição na minha tarefa. Acontecia que, justamente nessa ocasião recebia mais advertências por não cuidar das minhas obrigações por ser indiferente a tudo, porque as almas menos recolhidas querem que também os outros sejam semelhantes a elas, pois constituem para elas uma contínua ocasião de remorso.

148
A alma nobre e delicada, ainda  que a mais simples desde que possua uma fina sensibilidade, vê Deus em tudo, encontra-O em toda parte, sabe encontrar a Deus até debaixo das coisas obscuras. Tudo para ela tem significado, a tudo dá grande valor, por tudo agradece a Deus, de tudo tira proveito para a alma e atribui toda a glória a Deus. Confia n´Ele e não se confunde quando chega  o tempo das provações. Ela sabe que Deus é sempre o melhor Pai que e não dá muita atenção ao respeito humano . Segue fielmente o menor sopro do Espírito Santo e alegra-se com esse Hóspede Espiritual, agarrando-se a Ele como uma criança a sua mãe. Onde outras almas param e se atemorizam - ela passa sem medo e sem dificuldades.

Pagina 71 - Continuação Verso 145


Jesus me dá a conhecer, com frequencia, o que Lhe desagrada na minha alma e, muitas vezes, censurou-me por coisas aparentemente tão insignificantes que, no entanto, tinham grande importância. Admoestava-me e exercitava como um Mestre. Por varios anos foi Ele mesmo quem me educou, até o momento em que me deu o diretor espiritual. Anteriormente, era Ele próprio quem me dava a conhecer o que eu não compreendia, e agora manda que pergunte tudo ao confessor e, muitas vezes, diz-me assim: Eu te responderei pela boca dele, fica tranquila. Ainda não me aconteceu de ter recebido uma resposta contrária ao que o Senhor exigia de mim, e que eu apresentava ao diretor espiritual. Algumas vezes, acontece que Jesus primeiro me recomenda certas coisas e ninguém sabe disso, e quando me aproximo do confessionário, o sacerdote recomenda-me exatamente o mesmo. Contudo, isto não acontece com muita frequência.

Quando, por muito tempo, a alma recebia muitas luzes e inspirações, e os confessores a confirmaram na paz, tranquilizando quanto à origem delas, e o seu amor era grande, Jesus dá-lhe então a conhecer que é tempo de pôr em prática o que recebeu. A alma reconhece que o Senhor conta com ela, e esse conhecimento lhe dá forças. Ela sabe que para ser fiel, muitas vezes terá que se expor a diversas dificuldades, mas ela confia em Deus e graças a essa confiança chega até onde Ele a chama. As dificuldades não a assustam, são para ela como o pão de cada dia - absolutamente não a assustam, tal como o cavaleiro que esteja continuamente em luta não se assusta com o estrondo dos canhões. Está longe de assustar-se, mas presta atenção, para saber de que lado o inimigo ataca, a fim de conseguir a vitória. Não faz nada às cegas, mas investiga, reflete profundamente e, não contando consigo mesma, reza com fervor e pede o conselho de cavaleiros experientes e sábios, e assim procedendo, consegue quase sempre vencer.
Porém, há ataques em que a alma não tem tempo de refletir nem de pedir conselho, nem para nada; então tem de travar uma luta de vida ou morte. Algumas vezes, é bom refugiar-se na Chaga do Coração de Jesus, sem dizer sequer uma palavra. Só por isso, o inimigo já está vencido.
Em tempo de paz, a alma se esforça da mesma forma que durante a luta. Deve exercitar-se e muito, porque de contrário não alcançará a vitória. Considero o tempo da paz como o tempo da preparação para a vitória. A alma deve estar sempre alerta - vigilância, mas uma Guia da alma, é sábio aquele a quem exercitais. Mas, para que o Espírito Divino possa agir na alma, é preciso silêncio e recolhimento.

Pagina 70 Versos Diário 142 a 145


142
Quando fui tranquilizada e instruída sobre a maneira de como proceder nesses caminhos de Deus, o meu espírito alegrou-se no Senhor, e parecia-me que não estava andando, mas correndo; as minhas asas abriram-se para o voo e comecei a elevar-me até o próprio Sol abrasador, e não hei de descer antes de repousar n´Aquele em quem a minha alma mergulhou para sempre. Abandonei-me inteiramente à influência da graça; grandes são as visitações, quando penetra minha alma! Não me afasto nem nego, mas mergulho n´Ele, como no meu único Tesouro. Sou um só com o Senhor; o abismo entre nós, Criador e criatura, como que em êxtase contínuo. A presença de Deus não me abandonava por um momento sequer. E a minha alma permanecia numa contínua amorosa união com o Senhor. Contudo, isso não me impedia de cumprir as minhas obrigações. Sentia que estava transformada em amor, toda incendiada, mas sem (prejuízo). Continuamente estava absorta em Deus que me atraía a Si com tanta força e vigor que, por vezes, nem me dava conta de estar na Terra. Durante muito tempo havia impedido a ação da graça de Deus e tinha medo dela, mas agora o próprio Deus, através desse Frei Andrasz, afastou todos os obstáculos. O meu espírito voltou-se para o Sol e floresceu em suas chamas para Ele apenas, já não compreendo (interrompe e começa um novo pensamento em outro parágrafo.

143
Desperdicei muita graça de Deus, pois sempre temia que fosse ilusão, embora Deus me atraísse a Si com tanta força, que muitas vezes, não tinha condições de me opor à Sua graça. Quando me via, de repente, mergulhada n´Ele, mesmo que quisesse inquietar-me não podia, tão grande era a paz que Jesus me concedia. E então ouvi na alma estas palavras: Para que fiques tranquila de que sou Eu o autor e todas estas exigências, te concederei uma paz tão profunda que, ainda que quisesse inquietar-te e ficar assustada, não estaria em teu poder fazê-lo, pois o amor inundará a tua alma até ao esquecimento de si mesma.

 

144
Mais tarde, Jesus deu-me um outro sacerdote, diante do qual mandou que eu abrisse a minha alma. Embora a princípio fizesse com um pouco de hesitação, a severa repreensão de Jesus produziu na alma uma profunda humildade. Sob a direção deste sacerdote, a minha alma progredia rapidamente no amor a Deus e muitos desejos do Senhor foram concretizados exteriormente. Muitas vezes, ficava refletindo sobre a coragem dele e sua profunda humildade.

 

145
Oh! Como é miserável a minha alma que desperdiçou tantas graças. Eu fugia de Deus, e Ele me perseguia com Suas graças. Na maior parte das vezes, recebia graças divinas, quando menos as esperava. Mas, desde o momento em que o Senhor me deu um diretor espiritual, sou mais fiel à graça. Graças ao diretor espiritual, e à sua vigilância sobre a minha alma, conheci o que é a direção espiritual  como Jesus a considera. Jesus me repreendia menor falta e fazia-me sentir que Ele mesmo julga as coisas que eu apresento ao confessor – e toda falta contra ele atinge a Mim mesmo.

Pagina 69 Versos 139 a 142 Diário de Santa Faustina


139
Contudo, a alma fiel a Deus não é capaz de discernir por si só as suas inspirações; deve submetê-las ao controle de um sacerdote muito instruído e sábio, e é bom que delas desconfie enquanto não se certificar. Não confie nessas inspirações e em todas as mais altas graças, porque pode expor-se a grandes prejuízos.
Embora a alma possa de imediato distinguir as inspirações falsas das inspirações de Deus, contudo deve tomar cuidado, porque há muitas coisas incertas. Deus gosta e alegra-se quando a alma não crê apenas n´Ele mesmo; porque O ama, toma cuidado, pergunta e ela mesma busca ajuda, para verificar se é realmente Deus que esta agindo nela. E, tendo se convencido através de um sábio confessor, deve então ficar em paz e entregar-se a Deus de acordo com a Sua orientação, isto é, de acordo com a orientação do confessor.

140
O amor puro é capaz de grandes ações e não se deixa abater por dificuldades ou contrariedades. Assim como o amor é forte nas grandes dificuldades, assim também é perseverante na vida monótona, diária, penosa. A alma que ama sabe que, para ser agradável a Deus, uma só coisa é necessária, isto é, fazer mesmo as mínimas coisas por grande amor - amor e sempre amor.
O amor puro nunca se engana, pois está admiravelmente cheio de luz e não fará nada que possa desagradar a Deus. É engenhoso em praticar o que é mais agradável a Deus e ninguém o supera; fica feliz quando se pode aniquilar e consumir-se como oblação pura. Quando mais dá de si, tanto maior é sua felicidade; mas também ninguém sabe pressentir os perigos de tão longe como ela; sabe como desmascarar e sabe com quem está lidando.

141
Mas os meus tormentos já estão chegando ao fim. O senhor está a dar-me a ajuda prometida, vejo-a em dois sacerdotes: Frei Andrasz e Padre Sopocko. No retiro, antes dos votos perpétuos, pela primeira vez fui tranquilizada inteiramente, e mais tarde fui conduzida nessa mesma direção pelo Padre Sopocko - aqui cumpriu-se a promessa do Senhor.

Pagina 68 - Versos 136 a 138


136
Jesus me deu a conhecer que, embora eu não concordasse com isso, poderia me salvar sem que diminuíssem as graças que me concedia, continuando até com a mesma íntima união comigo de tal forma que, mesmo sem a minha adesão a esse sacrifício conhecer que todo o mistério dependia de mim, do meu voluntário consentimento no sacrífício na inteira consciência do meu espírito.Neste ato voluntário e consciente reside todo o poder e valor diante de Sua majestade inconcebível. Sentia que Deus estava aguardando a minha palavra, o meu consentimento. Então, o meu espírito mergulhou no Senhor e eu disse: ¨Fazei de mim o que você aprouver, submeto-me à Vossa vontade. A vossa santa vontade hoje em diante será o meu alimento. Serei fiel às Vossas exigências, com o auxílio da Vossa graça. Fazei de mim o que quiserdes. Suplico-Vos, Senhor, permanecei comigo em cada momento da minha vida.¨

137
Nesse momento, quando consenti nesse sacrífício de toda minha vontade e coração, a presença de Deus me penetrou toda a minha alma mergulhou em Deus e foi inundada de tanta felicidade de que nem em parte posso descrevê-la. Sentia que Sua majestade me envolvia. Uni-me com Deus de uma maneira estranha. Via grande agrado que Deus tem por mim, e o meu espírito por sua vez mergulhou n´Ele. Consciente dessa união com Deus, sinto que sou amada de maneira especial e eu, da minha parte, estou amando com toda a força da minha alma. - Ocorreu um grande segredo nessa adoração. Um segredo entre mim e o Senhor, e parece-me que ia morrer de amor só de ver o Seu olhar. Falava muito com o Senhor, mas sem palavras.  E o Senhor disse-me : És a delícia do Meu Coração. De hoje em diante tudo o que fizeres, mesmo mais insignificante será agradável aos Meus olhos. Nesse momento senti-me consagrada. O invólucro do corpo parecia o mesmo, mas a minha alma estava alterada, pois agora nela habitava. Deus com toda a Sua complacência. E isto não é uma mera sensação, mas uma realidade consciente, que nada pode obscurecer . Um grande mistério, realizou-se entre mim e Deus.

138
A coragem e a força permaneceram na minha alma. Quando saí da adoração, olhei com tranqüilidade para tudo aquilo que antes tanto temia. Foi logo no corredor que deparei com um grande sofrimento e humilhação da parte de uma pessoa. Aceitei-o com submissão à vontade com submissão à vontade superior e recolhi-me profundamente no Sacratíssimo Coração de Jesus, dando-Lhe a conhecer que estou pronta para o que me havia oferecido. O sofrimento parecia brotar debaixo da terra.Até a própria Madre Margarida admirava-se disso. Às outras deixam passar muitas coisas, porque realmente não vale a pena prestar atenção nisso, mas a mim não deixam passar  nada, toda palavra analisada, todo passo observado. Uma das Irmãs disse-me: ¨A Irmã que se prepare para receber a pequena cruz que a aguarda da parte da Madre Superiora; tenho tanta pena da Irmã¨. E eu alegrava-me com isso no mais fundo da minha alma e já muito tempo estava preparada para isso. Quando viu a minha coragem, ficou muito surpreendida. Sei agora que a alma por si só não pode muito, mas com Deus tudo pode. Eis do que é capaz a graça de Deus. Poucas são as almas que estejam sempre atentas à inspirações de Deus e menos ainda as que estejam dispostas a segui-las fielmente.

Página 67 - Versos Diario 133 a 135

133
Uma vez chamou-me uma das Madres mais velhas e, como que do céu claro, começaram a desabar raios, de maneira que eu nem sabia mais do que se tratava. Mas logo compreendi que foi por um motivo que absolutamente não dependia de mim. Disse-me ela: ¨Irmã, tire da cabeça que Nosso Senhor possa conviver com a Irmã tão familiarmente, com uma miserável, uma tão imperfeita. Nossa Senhor convive apenas com almas santas, lembre-se isso. ¨ Reconheci que ela tinha toda a razão, porque sou miserável, mas, no entanto, continuo a confiar na misericórdia de Deus. Quando me encontrei com o Senhor, humilhei-me e disse: ¨Jesus, parece que Vós não convives com uma miserável da minha espécie? - Fique tranquila, Minha filha. Justamente através de uma tal miséria quero demonstrar o poder da Minha misericórdia. Compreendi então que essa Madre queria somente humilhar-me.

134
Ó

Pagina 66 Versos Diario 131 a 132


131
Jesus, Vós podeis ajudar-me! E já comecei desde esse momento a esconder todas as graças na minha alma, aguardando aquele que o Senhor me enviará. Não tendo nenhuma dúvida, meu coração, pedia ao Senhor que Ele mesmo se dignasse ajudar-me nesses momentos, e uma certa coragem penetrou na alma.

132
Devo mencionar ainda que existem alguns confessores que ajudam à alma e são, assim parece, pais espirituais, mais até certo ponto, enquanto tudo vai bem. Mas, quando a alma se encontra em maiores necessidades, tornam-se como que hesitantes e não podem, ou não querem, compreender a alma. Procura livrar-se dela o quanto antes, mas, se é humilde, a alma sempre aproveita ao menos um pouco. O próprio Deus, algumas vezes lança um raio de luz no fundo da alma, pela sua humildade e fé. Às vezes, o confessor diz o que absolutamente não tencionava dizer e ele mesmo não se dá conta disso. Oh! Acredite a alma que são palavras do próprio Senhor. Embora devamos acreditar que toda palavra dita no confessionário seja divina, o que mencionei acima que o sacerdote não é senhor de si mesmo - que diz o que não pretenderia. É assim que Deus recompensa a fé. Experimentei isso várias vezes por mim mesma. Certo sacerdote, muito culto e bastante respeitado - algumas vezes eu tinha que confessar-me com ele - sempre era severo e sempre me contrariava nessas coisas, mas uma vez me respondeu: ¨Saiba, Irmã, que se Deus exige que a Irmã realize tais coisas, não se deve opor. Deus quer, por vezes. ser glorificado justamente dessa maneira, Fique tranquila; pois se Deus começou, Deus terminará, mas recomendo-lhe: fidelidade a Deus e humildade e, uma vez mais, humildade. Nunca se esqueça do que eu lhe disse hoje.¨ Fiquei satisfeita e pensei que talvez esse sacerdote me tivesse compreendido. Mas as circunstâncias fizeram com que nunca mais me confessasse com ele.

Página 65 Versos Diário 129 a 130


129
Um certo dia uma das Madres ficou tão zangada comigo e humilhou-me tanto, que eu pensava que não suportaria mais. Disse-me ¨Excêntrica, histérica, visionária, suma do meu quarto, não quero mais ver a Irmã.¨- E caiu sobre a minha cabeça todo um palavrório. Ao chegar à minha cela, caí de bruços diante do crucifixo e olhei para Jesus; já não era capaz de pronunciar uma só palavra. E, no entanto, eu disfarçava diante das outras e fingia que nada tinha havido entre nós.
Satanás sempre aproveita de tais momentos; começaram a assaltar-me pensamentos de desânimo: ¨Eis a recompensa pela tua fidelidade e sinceridade. Como se pode ser sincera, quando se é assim tão incompreendida? ¨ ¨Jesus, Jesus, não aguento mais! ¨Caí novamente ao chão sob esse peso e cobri-e de suor; uma espécie de temor começou a dominar-me. Não tinha em quem me apoiar interiormente. Nisso ouvi uma voz na alma: Não temas: Eu estou contigo! E uma luz estranha iluminou a minha mente; compreendi então que não devia render-me a essas tristezas. Uma força penetrou -me e saí da cela com nova coragem, pronta para enfrentar os sofrimentos.

130
Mas, apesar de tudo, comecei a desleixar-me um pouco. Não prestava atenção às inspirações interiores, procurando ficar distraída. Mas, apesar da algazarra e da distração, eu percebia o que estava acontecendo na minha alma. A palavra de Deus é eloquente e nada pode sufocar. Comecei a evitar o encontro com o Senhor na própria alma, porque não queria ser vítima de ilusões. No entanto, o Senhor parecia perseguir-me com os Seus dons e, realmente, eu experimentava ora dor, ora alegria. Não menciono aqui as diversas visões e graças que Deus me concedeu nesses momentos, porque tenho anotado isso em outra parte, mas mencionarei aqui que, tendo todos esses sofrimentos chegado ao cúmulo, resolvi, antes dos votos perpétuos, pôr um termo a essas dúvidas. Durante todo o tempo da provação, eu rezei pedindo luzes para o sacerdote diante do qual eu devia desvendar-me - abrir inteiramente a minha alma. E pedia a Deus que Ele mesmo me ajudasse nisso e me desse a graça de poder exprimir as coisas mais secretas que se dão entre mim e o Senhor, e que me dispusesse a considerar, como vindo do próprio Cristo tudo o que esse sacerdote decidisse. Não importa o que julgar de mim, eu desejo somente a verdade. Já não posso viver mais em dúvidas e embora na minha alma tivesse tanta certeza sobre a proveniência divina de todas essas coisas a ponto de morrer por elas, resolvi colocar a opinião do confessor acima de tudo e proceder como ele decidisse e segundo suas indicações. Vejo que esse momento decidirá tudo.Não importa se me falará de acordo com as minhas inspirações ou exatamente ao contrário; isso já não me importava. O que eu desejava, era conhecer a verdade e segui-la.

Página 64 Versos 125 a 128




125
Tudo isso ainda se podia suportar. Mas, quando o Senhor exigiu que eu pintasse aquela Imagem, começaram a falar de mim abertamente e a olhar-me como se fosse uma histérica ou visionária, e tudo começou a se espalhar cada vez mais. Uma das Irmãs veio falar comigo confidencialmente. E começou a manifestar pena de mim. Disse-me: ¨Ouvi dizer que a Irmã é uma visionária, que está tendo visões. Pobre Irmã, procure defender-se disso. ¨Essa alma era sincera e disse-me sinceramente o que tinha ouvido. Mas eu tinha que escutar coisas assim todos os dias. E. quanto isso me afligia, só Deus o sabe.
126
Contudo, decidi suportar tudo em silêncio, sem dar explicações às perguntas que me eram feitas. Este meu silêncio irritava profundamente - diziam que, ¨apesar de tudo, a Irmã Faustina deve estar muito perto de Deus, se tem forças para suportar tantos juizos. Buscava o silêncio interior e exterior. Não dizia nada do que se relacionasse com a minha pessoa, embora algumas Irmãs me fizessem perguntas diretamente. Os meus lábios estavam selados. Sofria como uma pomba, sem me queixar. Mas algumas Irmãs pareciam sentir prazer em me incomodar de uma ou outra forma. Ficavam irritadas com a minha paciência; no entanto, Deus me dava interiormente tanta força que eu suportava tudo com tranquilidade.
127
Reconheci que nesses momentos não teria ajuda de ninguém e comecei a rezar, pedindo ao Senhor um confessor. Desejava que algum  sacerdote me dissesse esta única palavra: ¨Fique tranquila, você está no caminho certo¨, ou: ¨Afaste tudo isso, porque isso não provém de Deus. ¨Mas não encontrei um sacerdote suficientemente decidido, que me falasse tão claramente em nome do Senhor. Portanto, continuava a incerteza. Ó Jesus, se for Vossa vontade que eu viva em tal incerteza, bendito seja o Vosso nome. Peço-Vos, Senhor, guiai Vós mesmo a minha alma e ficai comigo porque eu por mim mesma não sou nada.
128
Eis que estou sendo julgada de todos os lados; já não existe em mim nada que tenha escapado do julgamento das Irmãs, mas pareceu que já tudo se esgotara e começaram a me deixar em paz. A minha alma cansada descansou um pouco e fiquei sabendo que o Senhor estava mais perto de mim durante essas perseguições. A trégua, porém, durou pouco. Uma forte tempestade explodiu novamente. Agora, as antigas suspeitas tornaram-se para elas como que coisa certa; e novamente foi preciso ouvir as mesmas cantilenas. Era o Senhor que assim o desejava. Mas, a coisa estranha, até exteriormente comecei a ter diversos insucessos, trazendo-me inúmeros e vários sofrimentos, por Deus somente conhecidos. Entretanto, esforçava-me como podia para fazer tudo com a mais pura das intenções. Vejo agora que estou sendo vigiada em toda a parte como se fosse uma ladra: Na capela, no trabalho, na minha cela. Então soube que, além da presença de Deus, havia sempre a presença humana ao meu lado. Muitas vezes, essa presença humana me incomodava imensamente. Havia momentos em que ficava refletindo se devia despir-me para tomar banho ou não. Mesmo a minha pobre cama chegou a ser revistada. Às vezes, até me dava vontade de rir, quando descobria que não deixam em paz nem mesmo a minha cama. Uma das Irmãs me revelou que todas as noites ficava espiando para mim na cela, para ver como me comportava.
Entretanto,as Superioras sempre são superioras e, embora me humilhassem pessoalmente e muitas vezes enchessem de várias dúvidas, sempre me permitiam o que exigia o Senhor, embora não da forma como eu pedia, satisfaziam as exigências do Senhor de maneira diferente e permitiam-me essas penitências e rigores.

"O Purgatório" segundo o Pe. M. SOPOCKO,
(Confessor e Director Espiritual de Santa Faustina) "Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar" (Jo 9,4). A - Com essas palavras, Jesus ensina-nos que só podemos acumular méritos enquanto vivermos neste mundo, e que no além-túmulo não podemos fazer nada para merecer a vida eterna. Nem toda a alma que sai deste mundo, com a graça santificante, possui a perfeição que o Senhor exige: «Sede perfeitos assim como vosso Pai Celeste é perfeito» (Mt 5, 48). A Maioria morre tendo apenas uma orientação para Deus, mas ainda imatura para a felicidade eterna. Neste caso, Deus dá-nos a possibilidade de nos purificarmos.
- Desta possibilidade fala Jesus quando fala da prisão da qual «não sairá antes de ter pago o último centavo».(Mt. 5 , 26). A essa mesma possibilidade parece aludir São Paulo ao falar daquele Evangelizador que, sobre o fundamento que é Cristo, constrói "com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha[...] Ele mesmo, entretanto, será salvo, mas como que através do fogo" (l Cor 3, 12-15).
- As inscrições nos túmulos dos primeiros cristãos e os Padres da Igreja testemunham que já os primeiros cristãos tinham o costume de fazer orações, dar esmolas e principalmente celebrar o Santo Sacrifício Eucarístico pelo alívio e descanso eterno dos mortos. Lembravam-se dessa salvação que passava, de alguma maneira, "através do fogo" e apressavam-se em levar ajuda aos seus irmãos. Com esse fundamento, nos concílios de Lyon (1247), Florença (1438-45) e de Trento (1545¬63), a Igreja formulou o dogma ( isto é, uma Verdade de Fé) de que, após a morte, a alma humana pode passar por um estado de purificação, e que as almas submetidas a esse estado podem ser ajudadas pela intercessão dos fiéis. - Trata-se apenas da purificação da alma, do afastamento dos danos que ainda permanecem, e não de uma elevação positiva e do aperfeiçoamento interior. E como com a morte se encerram todos os actos meritórios, a libertação das antigas imperfeições pode ter a feição de um castigo, de sofrimento, e não de reparação. Trata-se de um processo cheio de dor, passando de alguma maneira "através do fogo"
- De que fogo se trata? Estamos, certamente, perante uma linguagem simbólica: é o fogo de uma purificação muito dolorosa. Sabemos que às almas do Purgatório nada causa tanto sofrimento como a consciência de que, por própria culpa, estão privadas, por longo tempo, da felicidade de contemplar a Deus. Trata-se de uma saudade pelo Pai, que fustiga a alma tanto mais dolorosamente quanto mais avança o processo de purificação.

B. -A Igreja padecente, tendo entrado «na noite na qual já ninguém mais pode trabalhar», ou seja, acumular méritos e amadurecer para a felicidade definitiva, espera a ajuda dos membros vivos do Corpo de Cristo, que ainda vivem no mundo e têm a possibilidade de fazer reparação.
- A Igreja militante guarda fielmente as palavras da Sagrada Escritura:
"Coisa santa e salutar é orar pelos mortos" (2 Mac 12, 43). Todos nós temos a agradável e carinhosa obrigação de oferecer pelas almas do Purgatório as nossas orações e indulgências, sofrimentos e méritos, mortificações, trabalhos e, especialmente, o Sacrifício Eucarístico, no qual se torna presente sacramentalmente a infinita reparação do sacrifício de Cristo na cruz. Dessa forma as palavras de S. Paulo de que "os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros" (1 Cor 12, 25) em nenhuma parte se confirma tanto como nas orações da Igreja pelas almas dos que faleceram... - O menor sofrimento no Purgatório - como dizem os santos - ultrapassa todos os possíveis sofrimentos na terra. Está em nosso poder reduzi-los e ajudar as almas a alcançar a felicidade pela qual anseiam.
Por isso, o amor ao próximo deve ser o estímulo para lhes levar auxílio. Além disso, encontram-se lá os nossos pais, irmãos, amigos, parentes e também cristãos, irmãos de Jesus Cristo, membros de um só Corpo, companheiros na eternidade, a quem temos obrigação de amar como Nosso Senhor nos amou.
Finalmente, o nosso próprio interesse exige que levemos ajuda às almas do Purgatório, pois elas serão nossas protectoras diante de Deus e rezarão por nós incessantemente.
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Pagina 63 Versos 121 a 124



121
Uma série de graças Deus derrama sobre a alma depois dessas provas de fogo. A alma deleita-se com uma estreita união com Deus. Tem muitas visões sensitivas e intelectuais, ouve muitas palavras sobrenaturais e, muitas vezes, ordens claras, mas apesar dessas graças, ela não se basta a si mesma. Tanto mais porque, tendo-lhe Deus concedido tais dons, sabe que se encontra exposta a certos perigos e facilmente pode cair na ilusão. Deve pedir a Deus um diretor espiritual, e não apenas rezar pedindo um diretor, mas esforçar-se na procura de um guia que seja experiente, como o comandante, que tem que conhecer os caminhos que levam à batalha. A alma que esta unida com Deus deve ser preparada para grandes e árduos combates.
Após essas purificações e provas, Deus permanece na alma de maneira especial, todavia, a alma nem sempre colabora com essas graças. Não que ela mesma não queira trabalhar, mas porque encontra tão grandes dificuldades exteriores e interiores que é preciso realmente um milagre, para que essa alma possa manter-se nessas alturas. Aqui se faz necessário um diretor. Frequentemente enchia-se de dúvidas a minha alma e, algumas vezes, eu mesma me atemorizava, pois pensava que, afinal de contas, era uma ignorante e não tinha conhecimento de muitas coisas e menos ainda de coisas espirituais. No entanto, se as dúvidas aumentavam, eu buscava luz com o confessor ou com as Superioras, embora não recebesse aquilo que desejava.

122
Quando me abri às Superioras, uma delas compreendeu a minha alma e o caminho pelo qual Deus me conduzia. Enquanto me atinha às suas orientações, comecei a progredir rapidamente no caminho da perfeição. Mas isso não durou muito tempo. Ao desvendar mais a fundo minha alma, não recebi o que desejava: para a Superiora essas graças pareciam impossível, de modo que nada mais dela pude receber. Disse-me que não era possível que Deus convivesse dessa maneira com a criatura. ¨Temo pelo Irmã, porque talvez seja alguma ilusão. Que a Irmã peça o conselho de algum sacerdote¨. Contudo, o confessor não me compreendeu e disse: ¨É preferível que a Irmã fale sobre essas coisas com as Superioras. ¨E assim eu andava das Superioras ao confessor, do confessor às Superioras, sem encontrar tranquilidade. As graças divinas tornaram-se para mim um grande sofrimento. Dizia, algumas vezes, claramente ao Senhor: ¨Jesus, eu tenho medo de Vós. Não sereis algum fantasma?¨Jesus sempre me tranquilizava, mas eu continuava incrédula. Coisa estranha: Quanto menos acreditava, tanto mais Jesus me dava provas de que tudo provinha d¨Ele.

123
Quando percebi que as Superioras absolutamente não me tranquilizavam, resolvi não falar nada mais dessas coisas puramente interiores. Exteriormente, procurava, como boa religiosa, dizer tudo às Superioras, mas, sobre as necessidades da alma, daqui por diante só falava no confessionário. Por várias e muitas justas razões, compreendi que a mulher não foi chamada a distinguir tais mistérios. Expus-me a muitos sofrimentos desnecessários. Por muito tempo fui considerada como possessa pelo demônio e olhavam para mim com pena, e a Superiora começou a tomar certas precauções a meu respeito. Vinha aos meus ouvidos que as Irmãs também assim me consideravam. E escureceu o horizonte em minha volta. Comecei a evitar essas graças divinas, mas em vão, pois, afinal, isso não estava no meu poder. De repente, ficava envolta em tão grande recolhimento que, mesmo contra a minha vontade, mergulhava em Deus, e o Senhor me mantinha junto de si.

124
Nos primeiros momentos, a minha alma ficava sempre um pouco atemorizada, mas em seguida uma estranha paz e força enchia a alma.



Pagina 62 Versos 119 a 120


119
Do meu ponto de vista e experiência, a regra do silêncio deveria estar em primeiro lugar.Deus não se comunica à alma tagarela que, como zangão na colmeia, zumbe muito, mas não fabrica mel. A alma tagarela é vazia interiormente. Não há nela nem virtudes sólidas, nem familiaridade com Deus. Não há nela condições para levar uma vida mais profunda, para a doce paz e silêncio, em que reside Deus. A Alma que não saboreou a doçura do silêncio interior é um espírito inquieto e perturba o silêncio dos outros. Vi muitas almas nos abismos do Inferno, por não terem observado o silêncio. Elas mesmas me disseram isso, quando lhes perguntei qual tinha sido a causa da sua perdição. Eram almas de religiosas. Meu Deus, que grande dor, pois, afinal, poderiam não apenas estar no Céu, mas mesmo ser santas!
Ó Jesus, misericórdia! Até tremo quando penso que devo prestar contas da minha língua! Nela está a vida, mas também a morte; muitas vezes, matamos com a língua, cometemos verdadeiros homicídios, e ainda consideramos isso como coisa pequena? Realmente, não compreendo consciências desse gênero. Conheci uma pessoa que, tendo sabido de certa coisa que dela se falava...adoeceu gravemente, e resultou disso que perdeu muito sangue e derramou muitas lágrimas. E este triste resultado não foi causado por uma espada, mas apenas pela língua. Ó meu Jesus silencioso, tende misericórdia de nós!

120
Enveredei pelo assunto do silêncio, mas não é disso que queria falar, e sim da vida da alma com Deus e de como responde à graça. Quando a alma foi purificada e o Senhor convive com ela familiarmente, então agora é que toda a força da alma começa ser empregada na busca de Deus. Contudo, ela por si nada pode,mas somente Deus que dispõe tudo, e a alma sabe disso e tem consciência disso. Ela ainda vive no exílio e compreende bem que isso de uma maneira bem diferente do que no passado. Não se sente segura numa falsa paz, mas prepara-se para a luta. Ela sabe que pertence a uma geração de guerreiros e mais consciente de todas as coisas. Ela sabe que é de linhagem real, e que tudo que é grande e santo, refere-se a ela.

121
Uma série de graças Deus derrama sobre a alma depois dessas provas de fogo. A alma deleita-se com uma estreita união com Deus. Tem muitas visões sensitivas e intelectuais, ouve muitas palavras sobrenaturais e, muitas vezes, ordens claras, mas apesar dessas graças, ela não se basta a si mesma. Tanto mais porque, tendo-lhe Deus concedido tais dons, sabe que se encontra exposta a diversos perigos  e facilmente pode cair na ilusão. Deve pedir a Deus um diretor espiritual, e não apenas rezar pedindo um diretor, mas esforçar-se na procura de um guia que seja experiente, como o comandante, que tem que conhecer os caminhos que levam à Batalha. A alma que está unida com Deus deve ser preparada para grandes e árduos combates.

Pagina 61 Versos Diario 116 a 118


115
Meu Jesus, Vós sabeis o que sente a minha alma com a recordação desses sofrimentos. Muitas vezes me admirava de que os Anjos e os Santos permanecessem em silêncio perante tais sofrimentos da alma. Todavia, eles nos amam de maneira especial em tais momentos. A minha alma, algumas vezes, clamava por Deus, assim como uma criancinha que grita com toda a força, quando a mãe lhe oculta o rosto e ela não a consegue reconhecer. Ó meu Jesus, por essas provações amorosas sejam-Vos dados louvor e glória. É grande e inconcebível a Vossa misericórdia. Ó Senhor, tudo que planejastes para a minha alma está impregnado da Vossa misericórdia.

117
Mencionarei aqui as pessoas que convivem com uma tal pessoa não devem acrescentar-lhe sofrimentos exteriores, porque, na verdade, quando uma alma tem o cálice cheio até as bordas, acontece, algumas vezes, que justamente essa gotinha que nós acrescentamos fará transbordar o seu cálice da amargura. E quem responderá por aquela alma? Evitemos acrescentar sofrimentos aos outros, porque isso não agrada ao Senhor.  Se as Irmãs ou as Superioras soubessem ou apenas suspeitassem, que uma determinada alma se encontra em tais provações e, apesar disso, ainda de sua parte lhes acrescentassem outros sofrimentos, pecariam mortalmente, e o próprio Deus lhes pediria contas dessa alma. Não falo aqui de casos que por sua própria natureza constituem pecado, mas falo aqui de coisas que em outras circunstâncias não seriam pecados. Tomemos cuidado para não termos sobre a consciência o peso de tais almas. De fato, na vida religiosa é grave falta e um defeito comum, querer sempre acrescentar sofrimentos  a uma alma que vemos sofrer. Não digo que isto aconteça com todos, mas há casos. Permitimo-nos proferir julgamentos de toda a sorte e repetí-los e falamos quando, algumas vezes, deviamos estar calados.
118
A língua é um membro pequeno, mas realiza grandes coisas. A religiosa que não sabe calar-se nunca atingirá a santidade a santidade, ou seja, jamais será santa. Que não se iluda - a não ser que através dela esteja falando o Espírito de Deus; neste caso, não é permitido calar-se. Mas, para ouvir a voz de Deus, é preciso ter o silêncio da alma e calar-se, não com um silêncio sombrio, mas com silêncio na alma, isto é, com o recolhimento em Deus. Pode-se falar muito e não interromper o silêncio, e ao contrário pode-se falar pouco e sempre romper o silêncio. Oh! que dano irreparável implica a inobservância do silêncio! Faz-se um grande mal ao próximo, porém ainda maior à própria alma.

Pagina 60 Diario Versos 114 a 115


114
Oh ! quão agradáveis são os hinos entoados por uma alma sofredora! Todo o Céu se encanta com uma assim. - especialmente quando provada por Deus, entoa-Lhe seus saudosos lamentos. Grande é sua beleza, porque ela provém de Deus. Caminha pelo deserto da vida, ferida pelo amor de Deus. Ela toca a terra apenas com um só pé. 

115
A Alma, quando sai desses tormentos, torna-se profundamente humilde e de grande pureza. Ela. como que sem refletir, sabe agora melhor o que lhe convém fazer em determinado momento, e ao que deve renunciar. Sente o mais leve toque da graça e é extremamente fiel a Deus. Ela conhece a Deus de longe e n´Ele se alegra continuamente. Descobre-O imediatamente nas outras almas, sobretudo naquelas que a rodeiam. A Alma é purificada pelo próprio Deus. Deus, como Espírito puro, encaminha a alma para uma vida inteiramente espiritual. Foi o próprio Deus quem preparou e purificou essa alma, ou seja, tornou-a capaz de uma estreita convivência com Ele. Ela permanece nessa união espiritual   com o Senhor num amoroso repouso. Fala com o Senhor sem se expressar através dos sentidos. Deus inunda a alma  com Sua luz e a mente assim iluminada vê claramente  distingue os vários graus da vida espiritual. Reconhece quando a sua união com Deus a maneira da ligação do espírito com os sentidos e, embora a maneira da ligação  do espírito com os sentidos fosse já muito elevada e especial - era imperfeita. Existe uma união com o Senhor mais elevada e perfeita - a intelectual. A alma estão então imune das ilusões, sua espiritualidade é mais profunda e mais pura. Na vida, onde prevalecem os sentidos, há um maior risco de ilusões. A prudência da alma mesma, como a dos confessores, deve ser nesse caso maior. Existem momentos em que também Deus introduz a alma num estado inteiramente espiritual. Os sentidos se apagam e estão como que mortos. A alma esta unida a Deus da maneira mais estreita, esta imersa na Divindade, o seu conhecimento é total e perfeito, não é detalhado - como anteriormente, mas geral e total. A alma alegra-se com isso. Mas ainda preciso que os confessores tenham paciência com essa alma. Mas a maior paciência deve ter a própria alma consigo mesma.

Pagina 59 Verso Diário 113


113
E novamente quero recomendar três coisas à alma que deseje decididamente buscar a santidade e dar fruto, ou seja, tirar proveito da confissão.

Em primeiro lugar, total sinceridade e fraqueza. O mais santo e mais sábio confessor não consegue derramar à força na alma aquilo que deseja, se a alma não for sincera e franca. A alma insincera, reticente, expõe-se a grandes perigos na vida espiritual e o próprio Senhor não se comunica a essa alma num nível mais elevado, porque sabe que ela não tiraria proveito dessas graças especiais.

Segundo: humildade. A alma não tira o devido proveito do sacramento da confissão se não é humilde. O orgulho mantém a alma nas trevas. Ela não sabe e não quer penetrar devidamente ao fundo da sua miséria; esconde-se atrás de uma máscara evitando tudo que a possa curar.

Terceiro: a obediência. A alma desobediente não obterá nenhuma vitória, ainda que o próprio Nosso Senhor a ouvisse diretamente em confissão. O mais experiente confessor em nada poderá ajudar a uma alma de tal natureza. A alma desobediente na se expõe a grandes desgraças; não progredirá na perfeição nem na vida espiritual. Deus cumula generosamente a alma das graças, mas somente se ela for obediente.

Pagina 58 Verso Diário 112


112
Algumas palavras sobre confissão e confessores. Mencionarei somente aquilo que experimentei e vivi na minha própria alma. Há três coisas que impedem a alma de se beneficiar da confissão nesses momentos excepcionais.
A primeira: Quando o confessor tem pouco conhecimento das vias extraordinárias e se mostra surpreso quando a alma lhe desvenda grandes mistérios que Deus nela opera. Essa atitude já atemoriza uma alma sensível e ela percebe que o confessor hesita em expor o seu ponto de vista e, se a alma percebe isso e não se tranquiliza, depois da confissão terá dúvidas ainda maiores do que antes dela, porque ela pressente que o confessor se esforça por tranquilizá-la, (mas) sem convicção. Ou, como já me aconteceu, o confessor, não podendo penetrar em certos mistérios da alma, recusa-lhe a confissão, manifestando um certo temor sempre que ela se aproxima do confessionário. Como pode a alma em tal estado se tranquilizar-se no confessionário, se ela se torna cada vez mais sensível a cada uma das palavras do sacerdote? Na minha opinião, em momentos assim, da prova especial enviada por Deus à alma, se o sacerdote não a compreende, deveria indicar-lhe algum confessor experimentado e sábio, ou ele mesmo adquirir luzes, para dar à alma aquilo de ela necessita, e não simplesmente  negar-lhe a confissão. Porque dessa maneira a expõe a um grande perigo, e mais de uma alma pode abandonar o caminho no qual Deus queria tê-la de maneira especial. Trata-se de algo muito importante, porque eu mesma passei por isso, de modo que já começava vacilar, apesar desses especiais dons de Deus, embora Ele próprio me tranquilizasse, eu sempre desejava ter o selo da Igreja.
A Segunda: Quando o confessor não permite que a alma se exprima sinceramente e lhe mostre impaciência. A Alma então cala-se e não diz tudo. Com isso, não obtêm benefício, e muito menos ainda, quando o confessor, sem conhecer realmente a alma, começa a experimentá-la. Isto termina por prejudicá-la em vez de ajudá-la. Ela sabe que o confessor não a entende, já que não permite que ela se abra inteiramente, tanto quanto às graças como quanto à própria miséria. Por conseguinte, a prova não é apropriada. Passei por algumas provas que me causaram riso. Expressar-me-ei melhor com estas palavras : O confessor é o médico da alma; pode o médico que não conhece a doença receitar o remédio adequado? - Nunca - Porque, ou não surtirá efeito desejado ou dará um remédio forte demais, o que aumentará o  mal, e algumas vezes - Deus nos livre - provocará a morte. Falo isso por experiência própria; em certos momentos era o próprio Senhor que me sustentava diretamente.

A terceira: Quando acontece que o confessor, algumas vezes faz pouco das coisas pequenas. Não há nada de pequeno na vida espiritual. Algumas vezes, uma coisa aparentemente insignificante desvenda uma outra de grande importância e constitui para o confessor com um raio de luz para conhecer a alma. Muitas matizes espirituais escondem-se em coisas pequenas.
Nunca poderá ser construído um grande edifício, se rejeitarmos os tijolos, por mais pequenos que sejam. De algumas almas, Deus exige uma grande pureza, dando-lhes um conhecimento mais profundo da própria miséria. Iluminada pela luz do Alto, conhece melhor o que agrada a Deus e o que não Lhe compraz. O pecado depende do grau de consciência e das luzes da alma; o mesmo se diga também das imperfeições. Embora a alma saiba que só pertence ao sacramento da penitência o pecado em sentido estrito- mesmo assim essas pequenas coisas têm uma grande importância na busca da santidade, e o confessor abre o caminho que conduz  aos mais profundos recônditos da alma. Ela, como que involuntariamente desvenda sua profundidade abissal e sente-se mais forte e mais resistente; luta com maior coragem, esforça-se mais, porquanto sabe que de tudo deve prestar contas.
Mencionarei mais uma coisa quanto ao confessor. Ele deve, algumas vezes, experimentar, deve pôr à prova, deve exercitar, para saber se está lidando com palha, ou com ferro, ou com ouro puro. Cada uma dessas três categorias de almas necessita de um exercício diferente. É absolutamente imprescindível que o confessor forme a respeito de cada alma um conceito claro, para saber o que ela pode suportar em certos momentos, circunstâncias e casos particulares. Quanto a mim, foi só mais tarde, após muitas experiências, quando percebi que não era compreendida, que resolvi não desvendar a minha alma e não perder mais a serenidade. Mas isso aconteceu somente quando todas essas graças estavam já sob o juízo de um sábio, instruído e experiente confessor. Agora sei como devo proceder em certos casos.

Pagina 57 Versos Diario 106 a 111


106
E, por outro lado, talvez Ele nunca permita que soframos tais suplícios. Escrevo isso para que, se Deus houver por bem conduzir alguma alma por (50) semelhantes suplícios, que não tenha medo, mas seja fiel a Deus em tudo, na medida, em que isso depender dela. Deus não causará dano à alma, pois é o próprio Amor, e foi nesse amor inconcebível que a chamou à existência.

107
Mas eu, quando estava nessas aflições nada compreendia. Ó meu Deus, conheci que não sou desta Terra; Deus infundiu tal consciência na minha alma (em ) alto grau. A minha permanência é mais no Céu do que na Terra, embora eu em nada descuide das minhas obrigações.

108
Nesse período não tinha um diretor espiritual e não recebia qualquer tipo de orientação. Eu pedia ao Senhor, mas Ele não me dava um diretor. O próprio Jesus era o meu Mestre desde a minha infância, até agora. Conduziu-me através de todos os desertos e perigos, e reconheço claramente que somente Deus me poderia ter conduzido por um tão grande perigo sem nenhum prejuízo e sem risco, deixando a minha alma imune e fazendo-me vencer todas as dificuldades, mesmo as mais inconcebíveis. Saí (...) . Todavia, mais tarde, o Senhor deu-me um diretor.
109
Após esses sofrimentos, a alma esta em grande pureza de espírito e muita próxima de Deus. Devo, porém, observar que, nesses tormentos espirituais, embora se encontre perto de Deus, nesses tormentos espirituais, embora se encontre perto de Deus, ela está cega. O olhar da alma é envolvido pelas trevas, apesar de Deus estar bem mais próximo de uma alma tão sofredora. Todo o Deus estar bem mais próximo de uma alma tão sofredora. Todo o segredo consiste em que ela de nada sabe. Ela afirma não somente ter sido abandonada por Deus, mas ter-se tornado objeto do seu ódio. Que grande doença dos olhos da alma que, atingida pela luz divina, afirma que esta luz não existe. E, no entanto, ela é tão forte que a cega. Todavia, conheci mais tarde que Deus está mais perto da alma nesses momentos do que em outras ocasiões, porque, com a simples ajuda da graça ela não suportaria tais provações. Atuam aqui a onipotência de Deus e a graça extraordinária, porque de outra forma a alma sucumbiria ao primeiro golpe.
110
Ó Mestre Divino, o que acontece na minha alma é somente obra Vossa. Vós, o Senhor, não receais colocar a alma à beira de um terrível precipício, onde ela se amedronta e se assusta, e novamente a fazeis voltar a Vós. Eis os nossos insondáveis mistérios!
111
Quando nesses tormentos da alma eu procurava acusar-me na Santa Confissão dos menores defeitos, o sacerdote admirou-se por eu não ter cometido faltas maiores e disse-me estas palavras: ¨Se em meio a esses tormentos a Irmã é tão fiel a Deus para mim isto já é prova de que Deus está amparando a Irmã com Sua graça especial, e até é bom que a Irmã não compreenda isso.¨ Contudo, é estranho que os confessores não me pudessem compreender nem tranquilizar com relação a essas coisas. E foi assim até que encontrou Frei Andrasz e depois Padre Sopocko.


Pagina 56 Versos Diario Santa Faustina 102 a 105


102
Após algum tempo uma das Irmãs entrou na cela e me encontrou quase morta. Assustou-se e foi chamar a Mestra  que, por força da santa obediência, ordenou que eu me levantasse do chão. Imediatamente voltaram minhas forças físicas e levantei-me do chão, toda tremendo. A Mestra percebeu logo o estado da minha alma, falou -me da insondável misericórdia de Deus, dizendo-me: ¨Irmã, não se perturbe seja com o que for; e ordeno-lhe isto pela virtude da obediência. ¨ E acrescentou: ¨Agora reconheço que Deus esta destinando a Irmã para um alto grau de santidade. O senhor quer ter a Irmã perto de Si, já que permite tais provas e tão cedo. Que a irmã seja fiel a Deus, porque isto é sinal de que deseja lhe reservar um elevado lugar no Céu. ¨ Mas eu não compreendia nada dessas palavras .

103
Quando entrei na capela, senti como se a minha alma fosse completamente purificada, como se acabasse de sair das mãos de Deus; intui, então, a pureza inviolável da minha alma e senti-me como uma criancinha. Então, de repente, vi anteriormente o Senhor, que me disse: Não tenhas medo, minha filha, Eu estou contigo.  Nesse momento dissiparam-se todas as trevas e angústias, os sentidos foram inundados de indízível alegrias, as faculdades da alma repletas de luz.

104
Ainda quero mencionar que, embora a minha alma já estivesse sob os raios do Seu amor, no meu corpo ficaram ainda por dois dias os vestígios do tormento passado. O rosto mortalmente pálido e os olhos ensanguentados. Só Jesus sabe o quanto tinha sofrido. Comparando com a realidade, aquilo que escrevi parece sem expressão. Não sei expressá-lo, parece que voltei do outro mundo. Experimento agora  uma aversão a tudo que é criado. Aconchego-me ao Coração de Deus como uma criança ao peito da mãe. Vejo tudo com outros olhos. Estou consciente de tudo que Deus fez na minha alma com uma só palavra e por Ela vivo. Tremo só de me lembrar dos tormentos passados. Não teria acreditado que se pode sofrer tanto se eu mesma não tivesse passado por isso. É um sofrimento inteiramente espiritual.

105
Todavia, em todos esses sofrimentos e lutas, eu não faltava a Santa Comunhão. Quando achava que não devia comungar, procurava antes da Comunhão a Mestra e dizia-lhe que não podia comungar, parecia-me que não deveria comungar. Ela, no entanto, não permitia que eu deixasse à Santa Comunhão; comungava e vi que somente a obediência me salvava.
Foi a própria Mestra que me disse mais tarde que essas minhas provações passaram depressa justamente porque a ¨Irmã foi obediente. É só pelo poder da obediência a Irmã superou tudo isso com tanta coragem.¨ Na verdade foi o próprio Senhor que me tirou desse tormento, mas a fidelidade à obediência Lhe foi agradável. Embora sejam coisas pavorosas, nenhuma alma deve assutar-se demasiadamente com elas, porque Deus não nos submete a provas que estejam acima de nossas forças.

Pagina 55 Versos Diario de Santa Faustina 100 a 101


100
- Agora começo a sentir a falta das forças físicas e já não posso dar conta dos meus deveres. Já não posso também esconder os meus sofrimentos, e embora não diga nenhuma palavra sobre o que estou sofrendo, trai-me a dor que se reflete no meu rosto. A Superiora me contou que as Irmãs lhe disseram que, quando olham para mim na capela, sentem compaixão de mim; tão terrível é o meu aspecto. Apesas dos meus esforços, a alma não tem condições de esconder esse sofrimento.

101
Jesus, só Vós sabeis como a alma geme nesses suplícios, envolvida pelas trevas, e, no entanto, deseja a Deus e anseia por Ele como os lábios ressequidos anseiam pela água. Ela morre e resseca, morre de uma morte sem morte, isto é, não pode morrer. Os seus esforços nada significam; encontra-se já em poder do Deus Justo e Três Vezes Santo. - Rejeitada pelos séculos. - Esse é o momento culminante e somente Deus pode provar a alma dessa maneira, porque somente Ele sabe o que ela pode suportar. Quando a alma fica toda empregnada desse fogo infernal, precipita-se como que no desespero. A minha alma passou por esse momento quando me encontrava sozinha na cela. Quando a minha alma começou a mergulhar no desespero, senti que começava a agonizar ; contudo, agarrei o crucifixo e apertei-o firmemente nas minha mãos. Era como que meu corpo se separasse da alma e, embora quisesse ir falar com as Superioras, já não tinha forças físicas; pronunciei as últimas palavras: ¨Confio na Vossa Misericórdia¨- e pareceu-me que havia levado Deus a uma cólera ainda maior. Mergulhei no desespero; só de vez em quando escapava da minha alma um gemido doloroso, um gemido inconsolável. Estava agonizando. E parecia-me que já ficaria nesse estado, porque com minhas próprias forças não sairia dele. Cada lembrança de Deus era um mar de sofrimentos indescritíveis. E, no entanto, há alguma coisa na alma que busca a Deus com insistência, mas parece que é apenas  para ela sofrer mais. A recordação do antigo amor, com que Deus a cercava, era para ela um novo gênero de tormento. O olhar de Deus a atravessa e tudo é queimado na alma por esse olhar.

Pagina 54 Versos 98 a 99


98
A maior prova, o Abandono total -  Desespero

Quando a alma sai vencedora das provações anteriores, ainda que possa tropeçar, luta corajosamente e, com profunda humildade clama ao Senhor: ¨Salvai-me, porque estou perecendo.¨- Mas continua a ser capaz de lutar.
Agora, a alma é envolvida por trevas terríveis. A alma vê em si apenas pecados. O que sente é terrível. Vê-se totalmente rejeitada por Deus, sente como se fosse objeto do seu Ódio e encontra-se a um passo do desespero.  Defende-se como pode, procura despertar a confiança, mas a oração é para ela um tormento ainda maior, parece-lhe que está provocando Deus a uma ira ainda maior; sente-se como que colocada num cume altíssimo, suspenso sobre um precipício.
A alma busca insistentemente a Deus, mas sente-se rejeitada. Todos os tormentos e suplícios do mundo nada são em comparação com esse sentimento no qual ela é completamente submersa - isto é, o de ser rejeitada por Deus. Ninguém pode trazer-lhe alívio. Vê que está sozinha; não tem ninguém para defendê-la. Eleva os olhos para o Céu, mas sabe que o Céu não é para ela - para ela tudo esta perdido. Das trevas cai em trevas ainda maiores, parece-lhe que perdeu a Deus para sempre, a esse Deus a quem tanto amava. Um tal pensamento a induz a um sofrimento indescritível. Contudo, ela não se conforma com isto, tenta olhar para o Céu, mas em vão - o que lhe provoca é um sofrimento ainda maior.

99
Ninguém consegue iluminar uma alma assim, se Deus a quiser manter nas trevas. Ela se sente rejeitada por Deus de maneira viva e terrificante. Do seu coração se elevam gemidos de dor e tão pungentes que nenhum sacerdote poderá compreendê-los, a não ser que ele mesmo tenha passado por isso. Nesse estado, a alma ainda tem que suportar sofrimentos provenientes do espírito do mal. Satanás escarnece dela: ¨Estas vendo, vais continuar fiel? Eis o teu pagamento, estás em nosso poder.¨Embora Satanás tenha sobre essa alma tanta influência quanta Deus permitir, Deus sabe quanto podemos suportar. O maligno prossegue: ¨E o que adiantou antes teres te mortificado? E o que adiantou seres fiel à  Regra? Para que todos esses esforços?Deus te rejeitou.¨- Essa palavra ¨rejeitou¨ transforma-se em fogo que penetra cada nervo até a medula dos ossos; transpassa todo o ser. Aproxima-se o maior momento da provação. A alma já não procura ajuda em parte alguma, mergulha em si mesma e não vê nada  diante dos seus olhos e parece quase se conformar com esse sofrimento de rejeição. É um momento que não consigo expressar. É a agonia da alma.
Quando esse momento começou a aproximar-se de mim pela primeira vez, dele fui arrancada somente pela virtude da santa obediência . A Mestra assustou-se quando me viu e enviou-me ao confessor, mas o confessor não me compreendeu, e não senti nem sombra de alívio. Ó Jesus, dai-nos sacerdotes experientes.
Quando disse que estava sofrendo suplícios infernais na minha alma, respondeu-me que se sentia tranquilo quanto à minha alma, porque está vendo nela uma grande graça de Deus. Mas eu não compreendi coisa alguma e nem um raio de luz entrou na minha alma.

Pagina 53 Versos 96 a 97



96
Provações Divinas na alma especialmente amada por Deus. Tentações e Trevas, Satanás
O amor da alma não é ainda tal como Deus o exige.A alma repentinamente perde a percepção da presença de Deus. Surgem nela diversos erros e defeitos, com os quais deve travar luta encarniçada. Todos os seus erros reaparecem, apesar de sua vigilância ser grande. O antigo sentir da presença de Deus é substituído pela tibieza e a aridez espiritual; a alma não sente gosto nos exercícios espirituais, não pode rezar, nem como antigamente, nem como rezava ultimamente. Agita-se por todos os lados e não encontra satisfação. Deus se escondeu diante dela, e ela não encontra conforto nas criaturas e nenhuma criatura consegue consolá-la. A alma deseja ardentemente a Deus. Parece-lhe ter perdido todos os dons divinos. A sua mente encontra-se como que obscurecida. As trevas a invadem num tormento indizível. A alma procura explicar o seu próprio estado ao confessor, mas não é compreendida. Então experimenta inquietações ainda maiores. Satanás inicia a sua trama.

97
A fé é exposta ao fogo da luta, que é grande; a alma faz esforços e pelo ato de vontade ela permanece com Deus. Satanás, com a permissão de Deus, avança ainda mais; a esperança e o amor estão sendo provados. São terríveis essas tentações; Deus sustém a alma como que em segredo. Ela não sabe até que ponto pode prová-la. A alma sofre a tentação da descrença quanto às verdades reveladas, e da insinceridade diante do confessor. Satanás lhe diz:¨Olha, ninguém te compreenderá, para que falar disso a todo mundo?Ressoam-lhe aos ouvidos palavras que o atemorizam e parece-lhe que as pronuncia contra Deus. Vê o que gostaria de não ver; ouve o que não quer ouvir. E é terrível, em momentos como estes, não ter um confessor bem preparado, porque pode desfalecer sob esse peso e cair no abismo. Todas essas provações são pesadas e difíceis. Porém, Deus não permite que elas atinjam uma alma que anteriormente não tenha sido admitida para uma mais profunda convivência com Deus e que não tenha experimentado as doçuras divinas. Além disso, Deus tem aí Seus desígnios, para nós insondáveis. Frequentemente, é assim que Deus prepara a alma para futuros projetos e grandes obras. E quer prová-la como se prova o ouro puro; mas isso ainda não é o fim da prova. Existe ainda a provação maior de todas - isto é, o completo abandono por parte de Deus.

Pagina 52 Versos Diario 94 a 95


94
Ó meu Senhor, inflamai o meu amor para Convosco, para que em meio às tempestades, sofrimentos e provações o meu espírito não desfaleça. Vós vedes como sou fraca. O amor tudo pode.

95
Conhecimento mais profundo de Deus e temor da alma.
No início, Deus, dá-se a conhecer como Santidade, Justiça, Bondade - ou seja, Misericórdia. A Alma não conhece tudo isso de uma vez, mas em iluminações sucessivas, ou aproximações de Deus. E isso não dura muito, porque a alma não suportaria tanta luz. Durante a oração, a alma experimenta o brilho dessa luz, que a impossibilita rezar como antes. Pode esforçar-se como quiser e obrigar-se a rezar como anteriormente; tudo será em vão. Torna-se absolutamente impossível pra ela continuar a rezar como antes de receber essa luz. Essa luz que tocou a alma permanece nela viva e nada consegue sufocá-la nem obscurecê-la. Esse clarão de conhecimento de Deus atrai a alma e a inflama de amor por Ele. Mas, ao mesmo tempo, essa luz dá a conhecer à alma o que ela é e permite que ela se veja interiormente numa luz superior, ela ressurge espantada e atemorizada. Contudo, não permanece nesse estado de temor, mas começa a purificar-se, a humilhar-se e a rebaixar-se diante do Senhor e essas iluminações tornam-se mais fortes e mais frequentes. Quanto mais a alma respondeu fiel e corajosamente a essas primeiras graças, Deus a cumula de consolações, e une-se com ela de maneira perceptível. A alma entra então, por momentos, como que em intimidade com Deus e sente-se imensamente feliz; acredita que já atingiu o grau de perfeição que lhe fora destinado, porque os erros e os defeitos nela estão adormecidos, e por isso pensa que já não os tem. Nada nela lhe parece difícil, sente-se pronta para tudo.Começa a mergulhar em Deus e a experimentar as delícias divinas. É levada pela graça e nem se dá conta de que pode vir o tempo da provação e de ser experimentada. E realmente esse estado não dura muito. Virão outros momentos, mas devo mencionar que a alma responde mais fielmente à graça de Deus se dispõe de um confessor iluminado, a quem tudo possa confidenciar.

Pagina 49 Verso Diário 93


93
(39) Resumo do Catecismo sobre os votos religiosos
P. O que é o voto?
R. O voto é uma promessa voluntária, feita a Deus, de realizar a ação mais perfeita.
P. O voto obriga em coisas ordenadas pelos mandamentos?
R. Sim. A realização da ação em coisas ordenadas pelos mandamentos é de dúplice valor e mérito, enquanto sua negliglência é uma dupla transgressão e maldade, porque, quando se transgride o voto, se acrescenta então ao pecado contra o mandamento ainda o pecado do sacrilégio.
P. Por que os votos religiosos têm valor tão elevado?
R. Porque constituem o fundamento da vida religiosa, aprovada pela Igreja, na qual os membros, unidos numa sociedade religiosa, se comprometem a buscar incessantemente a perfeição através dos três votos religiosos: da pobreza, castidade e obediência, de acordo com as regras.
P. O que significa buscar a perfeição?
R. Buscar a perfeição significa que o estado religioso por si só não exige perfeição já adquirida, mas obriga, sob pena de pecado, ao trabalho diário para consegui-la. Portanto, o religioso que não queira aperfeiçoar-se negligencia a principal obrigação do seu estado.
P. O que são votos religiosos solenes?
R. Os votos religiosos solenes são tão estritos que, apenas em casos extraordinários, só o próprio Santo Padre pode dispensá-los.
P. O que são votos simples?
R. São votos menos rigorosos. Dos perpétuos e anuais dispensa a Santa Sé.
(40) P. Quail é a diferença entre o voto e a virtude?
R. O voto abrange apenas o que é ordenado sob pena de pecado, ao passo que a virtude se eleva mais alto e facilita o cumprimento do voto. E ao contrário, transgredindo o voto, comete-se falta contra a virtude e fere-se a mesma.
P. A que obrigam os votos religiosos?
R. Os votos religiosos obrigam a buscar as virtudes e a total submissão aos Superiores e ás Regras, em virtude do que o religioso entrega a sua pessoa à Ordem, renunciando a todos os direitos sobre si Próprio e ás suas atividades, que dedica ao serviço divino.

Do voto de Pobreza

O voto de pobreza é a espontânea renúncia ao direito à propriedade, ou ao seu uso, com objetivos de agradar a Deus.
P. Que bens estão relacionados com  o voto da pobreza?
R. Todos os bens e objetos pertencentes à Congregação. Não se tem direito ao que foi dado, coisas ou dinheiro, desde que tenha sido aceito. Todos os donativos ou presentes a título de gratidão ou outro, pertencem à Congregação. Quaisquer ganhos pelo trabalho, ou mesmo rendas, não podem ser utilizados sem violar o voto.
P. Quando se transgride ou viola o voto segundo o sétimo mandamento?
Transgride-se quando, sem permissão, alguém se apodera, para si ou para outros, de uma coisa pertencente à casa. Quando se retêm alguma coisa sem permissão, com objetivo de apoderar-se dela. Quando, sem autorização, se vende ou se troca alguma coisa pertencente à Congregação. Quando se utiliza uma coisa para outro fim, que não o indicado pelas Superioras, ou quando se dá a alguém, ou se aceita sem licença. Quando, por negliglência, destrói-se ou estraga alguma coisa. Quando, transferindo-se de uma casa a outra, leva-se alguma coisa sem permissão. Nos casos de transgressão do voto da pobreza, o religioso (41) é igualmente obrigado à restituição à Congregação.

Da Virtude de Pobreza
  
É uma virtude evangélica que obriga o coração a desprender-se dos apegos às coisas temporais; a ela, o religioso, em virtude da profissão, está estritamente obrigado.

P. Quando se peca contra a virtude da pobreza?
R. Quando se desejam coisas contrárias a essa virtude. Quando se tem apego a alguma coisa, quando se usa de coisas supérfluas.
P. Quantos e quais são os graus de pobreza?
R. Praticamente, são quatro os graus de pobreza na profissão. Não dispor de algo independente dos superiores (matéria estrita de voto). Evitar o supérfluo, contentar-se com as coisas indispensáveis (constitui a virtude). De boa vontade dar preferência às coisas piores, e isto com satisfação interior tais como a cela, o vestuário, a alimentação, etc. Alegrar-se com a indigência.

Do voto de Castidade
P. A que obriga esse voto?
R. A renunciar ao casamento e a evitar tudo que seja proibido pelo sexto ou pelo nono mandamento.
P. A falta contra a virtude é violação do voto?
R. Toda a falta contra a virtude é ao mesmo tempo violação do voto, porque aqui não existe a diferença entre o voto e a virtude como na pobreza ou na obediência.
P. Todo mau pensamento é pecaminoso?
R. Nem todo mau pensamento é pecaminoso, mas torna-se tal quanto à consideração da mente une-se a aquiescência da vontade e o consentimento.
P. Além dos pecados contrários à  pureza, existe alguma coisa que traz prejuízo à virtude?
R. Traz prejuízo à virtude a dissipação dos sentidos e da imaginação e a liberdade dos sentimentos, a familiaridade e as amizades particulares.
P. Quais são as maneiras de preservar a virtude?
R. Subjugar as tentações interiores com o pensamento da presença de Deus e também com a luta sem temor. E quanto às tentações exteriores, evitar as ocasiões. Geralmente existem sete maneiras principais. Vigiar os sentidos, evitar as ocasiões, evitar a ociosidade, afastar rapidamente as tentações, evitar todas as amizades particulares,  ter o espírito da mortificação, revelar todas as tentações ao confessor. Além disso existem cinco meios de garantir a virtude: a humildade, o espírito de oração, a preservação da modéstia, a fidelidade à Regra, a sincera devoção à Santíssima Virgem Maria.

Do voto de Obediência
O voto de obediência é superior aos dois primeiros, porque ele propriamente constitui um holocausto, e é o mais necessário, porque constrói e vivifica todo organismo da vida religiosa.
P. A que obriga o voto da obediência?
R. O religioso, através do voto de obediência, promete a Deus que obedecerá aos legítimos superiores em tudo que lhe ordenarem de acordo com as Regras. O voto de obediência torma o religioso dependendo do superior em virtude  das Regras. O religioso comete pecado grave contra o voto, em virtude da obediência ou das Regras.

Da virtude de Obediência
A virtude de obediência eleva-se acima do voto e abrange as Regras, os regulamentos, até mesmo os conselhos dos superiores.
P. A virtude da obediência é indispensável ao religioso?
R. A virtude da obediência é tão necessária ao religioso que, mesmo que faça o bem, mas contra a obediência, (os seus atos) tornam-se maus, ou sem mérito.
P. Pode-se pecar gravemente quando se despreza a autoridade, ou a ordem do superior, e sempre que da desobediência decorre prejuízo espiritual ou temporal para a Congregação.
P. Que falta ameaçam o voto?
R. Preconceitos e antipatias para com o superior, murmurações, criticas, lentidão e negligências.

Graus da Obediência
Execução pronta e plena. - Obediência da vontade, quando a vontade leva a mente a submeter-se ao juízo do superior. Santo Inácio apresenta além disso três meios que facilitam a obediência. No superior, quem quer que ele seja, ver sempre a Deus; justificar diante de si mesmo a ordem ou a opinião do superior;aceitar toda ordem como se fosse de Deus, sem discutir ou analisar . E o meio geral é a humildade. Não há coisas difíceis para humilde.

Pagina 48 Versos Diario 90 a 92


90
Certo dia, vi interiormente o quanto terá de sofrer o meu confessor: - Os amigos te abandonarão e todos se oporão a ti, as forças físicas diminuirão. Eu te vi como um cacho de uvas escolhido pelo Senhor, e jogado no largar dos sofrimentos. A  tua alma, padre, em certos, estará cheia de dúvidas, no que se relaciona com essa obra e comigo.
E vi como se o próprio Deus a ti se opusesse e perguntei ao Senhor, por que assim procedia assim com ele, como que dificultando o que lhe ordenara. E o Senhor disse: Procedo assim com ele para testemunhar que essa é Minha. Diz-lhe que de nada tenho medo, o Meu olhar está voltado para ele, dia e noite. Haverá tantas palmas na sua coroa quantas almas se salvarem por essa obra. Não recompenso o bom êxito no trabalho, mas o sofrimento.

91
Ó meu Jesus, Vós mesmos sabeis quantas perseguições estou sofrendo, apenas porque Vos sou fiel e porque me atenho firmemente às Vossas exigências. Vós sois a minha força; fortalecei-me para que sempre cumpra fielmente tudo o que de mim exigis. Por mim mesma nada posso, mas se Vós me fortaleceis, nada significam todas as dificuldades. Ó Senhor, bem vejo que a minha vida, desde o primeiro momento em que minha alma recebeu a capacidade de conhecer-Vos, é uma contínua luta, e cada vez mais encarniçada. Todas as manhãs, na meditação preparo-me para a luta durante o dia todo, e a Santa Comunhão. Esse Pão dos Fortes me dá toda a energia para levar adiante essa obra e tenho coragem de cumprir tudo o que o Senhor exige. A coragem e a força que estão em mim não me pertencem, mas sim Àquele que mora em mim: A Eucaristia.
Meu Jesus, quão grandes são as incompreenções! Algumas vezes, se não fosse a Eucaristia, não teria coragem de ir adiante, por esse caminho que me indicastes.

92
A humilhação é o alimento cotidiano. Compreendo que a esposa deve assumir tudo o que diz respeito a seu esposo, e portanto, a Sua veste de ultrajes deve recobrir-me também. Nos momentos em que muito sofro procuro calar-me, porquanto não confio na língua que, em tais momentos, tem a tendência de falar de si mesma, e ela deve me servir para glorificar a Deus por tantos bens e dons que me concedeu.
Quando recebo Jesus na Santa Comunhão, peço-Lhe com fervor que se digne curar a minha língua, para que não ofenda com ela a Deus, nem o próximo. Desejo que a minha língua incessantemente glorifique a Deus. Grandes são os erros cometidos pela língua. A alma não atingirá a santidade se não tomar cuidado com a sua língua.

 

Pagina 47 Versos Diario 87 a 89


87
Na sexta-feira, quando vinha com as educandas do jardim para o jantar, faltavam dez minutos para as seis horas, vi Nosso Senhor sobre a nossa capela, da mesma maneira que o tinha visto pela primeira vez, como está pintado naquela imagem.Os dois raios que saíam do Coração de Jesus cobriam a nossa capela e a enfermaria, depois a cidade toda, espalhando-se lentamento pelo mundo inteiro. Isso durou talvez uns quatro minutos, e desapareceu. Uma das meninas, que vinha junto comigo um pouco atrás das outras, viu também esses raios, mas não viu a Jesus e contou às outras meninas. As meninas começaram a rir dela, dizendo que ela devia ter imaginado alguma coisa, ou talvez fosse luz de algum avião. Elas porém teimava e dizia que nunca na sua vida tinha visto raios como aqueles. Quando as meninas diziam ainda que talvez fosse algum refletor, ela respondeu que conhecia a luz de um refletor. Raios  assim ela nunca tinha visto. Depois do jantar essa menina veio falar comigo e disse-me que ficara tão impressionada com esses raios, colocando-me numa situação embaraçosa, porquanto não podia lhe dizer que eu tinha visto Jesus. Eu rezava por essa pequena alma para que Deus lhe concedesse as graças de que tanto necessitava. Alegrou-se o meu coração pelo fato de que o próprio Jesus se dá a conhecer na Sua obra. Embora tivesse grandes dissabores por esse motivo, por Jesus tudo se deve suportar.

88
 Quando estava em adoração, senti a proximidade de Deus. Pouco depois vi Jesus e Maria. Esta visão encheu de alegria a minha alma e perguntei ao Senhor: ¨Jesus, qual é a Vossa Vontade, sobre o assunto que o confessor  me mandou perguntar?¨-Jesus me respondeu: É da Minha vontade que ele permaneça aqui, e que não se demita por própria iniciativa. E perguntei a Jesus se se podia ficar com essa incrição: ¨Cristo, Rei da Misericórdia¨: Jesus me respondeu: - Sou o Rei da Misericórdia, Mas não disse  ¨Cristo¨. Desejo que, no primeiro domingo depois da Páscoa, a Imagem seja exposta publicamente. Esse Domingo é a Festa da Misericórdia. Pelo Verbo Encarnado dou a conhecer o abismo da Minha misericórdia.

89
Por admirável desígnio tudo aconteceu como o Senhor havia exigido:a primeira honra que a Imagem recebeu das multidões - foi no primeiro Domingo depois da Páscoa. Durante três dias, ela ficou exposta publicamente e recebeu a honra dos fiéis, pois estava colocada em Ostra Brama, na parte alta da janela e, por isso, podia ser vista de muito longe. Em Ostra Brama era comemorado solenemente, por esses três dias, o encerramento do Jubileu da Redenção do Mundo - os 1900  anos da Paixão do Salvador. Agora vejo que a obra da Redenção está ligada com a obra da misericórdia que o Senhor esta exigindo.

Pagina 46 Versos Diario 81 a 86


81
Ó Santíssima Trindade. bendita sejais-indivisível, único Deus, por esse grande dom e testamento da misericórdia. Meu Jesus, em reparação pelos blasfemos, ficarei em silêncio quando for censurada injustamente, para dessa maneira Vos desagravar ao menos em parte. Canto-Vos na minha alma um hino incessante e ninguém saberá disso, nem compreenderá.  O Canto da minha alma é conhecido apenas por Vós, ó meu Criador e meu Senhor.

82
Não permitirei que seja absorvida pelo trabalho a ponto de esquecer de Deus. Passarei todos  os momentos livres aos pés do Mestre oculto no Santíssimo Sacramento. É Ele quem me ensina desde os meus mais ternos anos.

83
Escreve isto: Antes de vir como Justo Juiz, venho como Rei da Misericórdia. Antes de vir o dia da Justiça, nos céus será dado aos homens este sinal:Apagar-se-á toda a luz no Céu e haverá uma grande escuridão sobre a Terra. Então aparecerá o sinal da Cruz no Céu, e dos orifícios, onde foram pregadas as mãos e os pés do Salvador saírão grandes luzes, que, por algum tempo, iluminarão a Terra. Isto acontecerá pouco antes do último dia.

84
Ó Sangue e Água, que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de Misericórdia para nós, eu confio em Vós!
85
Na Sexta-feira, após a Santa Comunhão, fui transportada em espírito diante do Trono de Deus. Aí vi as Potestades celestiais que sem cessar adoram a Deus. Ao fundo do Trono, vi uma luz inacessível às criaturas, onde entra apenas o Verbo Encarnado, como Mediador. Quando Jesus penetrou naquela claridade, ouvi estas palavras: Escreve logo o que estás ouvindo: Sou Senhor pela minha essência e conheço ordens nem necessidades. Se chamo criaturas à existência, é pelo abismo da Minha Misericórdia.  E imediatamente vi que estava na nossa capela, como antes no meu genuflexório. A Santa Missa estava chegando ao fim. Já tinha anotado essas palavras.

86
Quando vi o meu confessor, e quanto devia sofrer por causa dessa obra que Deus esta realizando através dele, fiquei atemorizada por um momento e disse ao Senhor:¨Jesus, essa obra é Vossa; por que então procedeis com ele dessa maneira? Parece que lhe crias dificuldades e ao mesmo tempo exigis que a faça.¨
Escreve que dia e noite o Meu olhar repousa sobre ele,e se permito essas contrariedades é só para multiplicar os méritos dele. Não recompenso pelo bom êxito, mas pela paciência e pelo trabalho suportado por Minha causa.

Pagina 45 Versos Diário 78 a 80


78
Uma vez, oprimida tão terrivelmente por esses sofrimentos, entrei na capela e pronunciei do funda da alma estas palavras:¨Fazei de mim, ó Jesus, o que quiserdes. Eu Vos adorarei em toda parte. E faça-se em mim toda a Vossa infinita misericórdia. ¨Por esse ato de submissão afastaram-se esses terríveis tormentos. Então, repente, vi Jesus, que me disse: Eu estou sempre ao teu coração.  Uma alegria inconcebível penetrou a minha alma, (enchendo-a) de um grande amor a Deus, do qual se inflamou o que possamos suportar. Oh! nada mais temo, pois se Ele envia à alma grandes tormentos, sustenta-a com uma graça ainda maior, mesmo que não a percebamos. Um só ato de confiança em momentos assim dá maior glória a Deus do que muitas horas de consolos passadas em oração. Vejo agora que, quando Deus quer manter a alma nas trevas, não há livro nem confessor algum que a consiga iluminar.

79
Maria, minha Mãe e Senhora, entrego-Vos a minha alma e o meu corpo, a minha vida e a minha morte e tudo o que vier depois dela. Deposito tudo em Vossas mãos, ó minha Mãe. Cobri a minha alma com o Vosso manto  virginal e concedei-me a graça da pureza do coração, da alma e do corpo. Defendei-me a graça da pureza do coração, da alma e do corpo. Defendei-me, com o Vosso poder, de todos os inimigos, especialmente daqueles que escondem a própria maldade com a máscara da virtude. Ó lindo Lírio, Vós sois para mim o espelho, ó minha Mãe!

80
Jesus, prisioneiro divino do amor, quando medito sobre o Vosso amor e despojamento por mim, sinto-me desfalecer. Escondeis a Vossa majestade inconcebível e Vos abaixais até mim, miserável; ó Rei da Glória, embora escondais a Vossa beleza, o olhar da minha alma rasga esse véu. Vejo os coros dos anjos, que sem cessar, Vos prestam louvor e todas as Potestades celestiais que Vos adoram sem cessar e proclamam sem cessar: ¨Santo, Santo, Santo.¨
Oh! quem compreenderá o Vosso amor e a Vossa insondável misericórdia para conosco?! Ó prisioneiro do amor, encerro o meu pobre coitada nesse sacrário, para que Vos adore sem cessar dia e noite. Não conheço obstáculo nessa adoração e, embora esteja distante fisicamente, o meu coração está sempre Convosco. Nada pode criar barreiras ao amor que Vos dedico. Não existem obstáculos para mim. Ó meu Jesus, eu Vos consolarei por todas as ingratidões, blasfêmias, tibieza, ódio dos condenados, sacrilégios. Ó Jesus, desejo consumir-me como sacrifício puro e aniquilado diante do Vosso Trono onde estais oculto. Suplico-Vos sem cessar pelos pecadores agonizantes.